segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Plano de saúde é questão de necessidade

Entra em vigor no dia 7 de junho a Resolução 211, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que inclui 70 novos tratamentos médicos e odontológicos como obrigatórios na cobertura dos planos de saúde e se aplicará a todos aqueles que possuem contratos celebrados a partir de 2 de janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei 9.656/98, que regulamentou o setor. Entre as novas coberturas destacam-se o transplante heterólogo (de uma pessoa para outra) de medula óssea, PET-Scan para diagnóstico de câncer de pulmão, implante de marcapasso multissítio, oxigenoterapia hiperbárica, mais de 20 tipos de cirurgias torácicas por vídeo, além de importantes inclusões no segmento odontológico, como colocação de coroa unitária e bloco. Referido ato da agência reguladora visa garantir aos beneficiários de planos de saúde uma cobertura mais ampla e eficaz, com o nítido objetivo de ver resguardado o pleno direito à saúde, previsto constitucionalmente. Ocorre que os novos tratamentos trarão impacto financeiro aos contratos já existentes, com inquestionável elevação dos gastos das seguradoras de saúde para garantir a cobertura obrigatória. A questão é: quem arcará com essa majoração dos gastos? Considerando que as empresas de planos de saúde exercem atividade econômica lucrativa, existem apenas duas opções: ou haverá o reajuste do valor dos contratos, para incluir os novos procedimentos, ou seja, será repassado aos consumidores o aumento dos gastos; ou ocorrerá a decadência da qualidade do serviço prestado, com as seguradoras contratando profissionais de menor capacidade e adquirindo instrumentos e equipamentos de menor qualidade. Em ambos os casos, os que sofrerão diretamente serão os consumidores, restando pagar mais caro pela cobertura ou ter à disposição um serviço de pior qualidade. A contratação de um plano de saúde deixou de ser artigo de luxo dos cidadãos e passou a ser questão de necessidade, já que sem ela corre-se grave risco de não se conseguir atendimento digno nos serviços públicos de saúde. Desse modo, não resta alternativa aos consumidores senão aceitar as majorações das mensalidades. www.cqcs.com.br

 

sábado, 23 de janeiro de 2010

Novas regras, velhas dúvidas

O novo rol de procedimentos obrigatórios determinado pela ANS amplia a cobertura dos planos de saúde, mas antigas questões ainda não foram resolvidas

Juliana Schincariol

Não faltam opções e preços de planos de saúde no mercado. O País possui quase duas mil operadoras e é possível contratar desde um plano odontológico por R$ 12 até pacotes médicos personalizados especialmente para altos executivos. A Agência Nacional de Saúde (ANS) busca constantemente revisar antigas leis e coberturas do setor, mas velhas dúvidas permanecem. O que fazer com os planos anteriores a 1999? Vale a pena optar por planos empresariais?

Em meados de janeiro, a ANS divulgou novos procedimentos obrigatórios para planos individuais. As novidades, garantidas pela Resolução Normativa nº 211, atenderão cerca de 44 milhões de beneficiários a partir de 7 de junho de 2010. As mudanças passam por transplante de medula óssea e exames sofisticados, como PET-Scan, além de mais de 20 tipos de cirurgias torácicas por vídeo. O segmento odontológico também muda (veja tabela na pág. 82). Certamente, isso não sairá de graça.

As mensalidades dos planos odontológicos poderão subir até 40%, prevê a Fenasaúde

As empresas do setor já fazem as contas e preparam seus pedidos de aumento das mensalidades à ANS. "Apoiamos as mudanças, mas sabemos que há impacto nos custos", disse à DINHEIRO o diretor técnico da Amil, Antonio Jorge Kropf. "Devemos trabalhar para que o consumidor tenha consciência de usar os recursos com a devida responsabilidade." O rol mais recente de procedimentos médicos, referente a 2008, contribuiu em um ponto percentual para o reajuste de 2009, de 6,7%. Ainda não há estimativas para o aumento futuro dos planos médicos.

Os pacotes odontológicos podem subir até 40%, segundo a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde). "Como os valores dos planos odontológicos são pequenos, o aumento vai ter pouco impacto", afirma a diretora-executiva da instituição, Solange Beatriz Mendes. Não é bem assim, já que qualquer real faz a diferença para os consumidores de menor poder aquisitivo, hoje muito cobiçados.

kropf, da amil:
"Apoiamos as mudanças, mas sabemos que há impacto nos custos"

Nos planos com mais de 11 anos de existência, a situação é mais complicada. A nova norma atualiza a cobertura mínima obrigatória oferecida pelas companhias de planos de saúde a todos que possuem contratos celebrados a partir de 2 de janeiro de 1999, data de entrada em vigor da Lei nº 9.656/98, que regulamenta o setor de saúde suplementar. Nos planos anteriores, que têm o respaldo do Código de Defesa do Consumidor, os clientes têm de processar as operadoras para garantir as novas coberturas, quando necessário. "A Justiça tem tomado decisões bastante favoráveis aos consumidores", afirma o advogado paulista Sérgio Parra. Os planos mais antigos correspondem a 21% do total. A ANS deverá retomar este ano as negociações para a migração destes clientes, mas, enquanto isso não acontece, a sugestão é tentar fazer por conta própria. "Para quem tiver condições, a migração é uma boa opção", recomenda o presidente da agência, Fausto Pereira dos Santos.

Cobertura reforçada
Novos procedimentos que planos de saúde têm de cobrir

Cirurgias por vídeo no tórax: entram 26 tipos de operações

Saúde mental: atendimento ilimitado em hospital-dia

Odontologia: 16 novos itens, como a colocação de coroa e bloco

Novas tecnologias: pet-scan oncológico, em casos de câncer pulmonar de células não pequenas; oxigenoterapia hiperbárica, aplicada ao tratamento de doenças como gangrena, intoxicações e lesões

Transplante de medula óssea: para tratamento de leucemias e outras doenças hematológicas. O transplante alogênico (de outro doador) é mais uma opção de tratamento, além do autólogo (retirado do próprio paciente), já coberto atualmente

Exames laboratoriais: inclusão de mais 17 novos exames, como avaliação de imunodeficiências primárias

Consultas: aumento de atendimentos por ano, como fonoaudiólogo (de 6 para até 24), nutricionista e terapeuta ocupacional (de 6 para até 12), além de psicólogo (de 12 para até 40)

 

O número de planos individuais tem decrescido a cada ano, pois as grandes companhias deixaram de oferecê- los no mercado. Atualmente, 80% dos contratos são coletivos por vínculo empregatício ou associações de classe. Muitas pessoas que possuem empresas têm optado por abrir mão de seus planos individuais e contratar apólices empresariais, que custam bem menos.

A vantagem financeira é grande e pode chegar a uma mensalidade 40% menor, conforme o caso. Mas é preciso cuidado. Nos planos empresariais, os reajustes são anuais e negociados diretamente com as operadoras, sem a proteção da ANS. Basta uma pessoa da família adoecer gravemente para enfrentar problemas com a operadora. "As pessoas não estão pensando em longo prazo. Elas pensam que compensa uma redução de 30% no pagamento da mensalidade, mas a operadora pode pedir um reajuste de 500% amanhã", alerta a advogada Rosana Chiavassa, de São Paulo. Segundo ela, as companhias menores são as mais prejudicadas. O diretor da Amil descarta os aumentos ostensivos. "Pelo menos nas grandes cidades, o mercado é altamente competitivo", insiste.

Antes de fazer sua opção, não deixe de consultar o site da ANS. Veja se a empresa tem registro válido e se oferece serviços na sua cidade. Também é importante avaliar o número de processos que correm contra a companhia. Não deixe de pesquisar e tentar negociar com cada operadora ou corretora de seguros.

ISTO É Dinheiro

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Convênios perdem quase 100 mil clientes em 12 meses

Em apenas 12 meses, os planos de saúde do Estado de São Paulo perderam 96.692 clientes, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A redução ocorrida entre setembro de 2008 e igual mês de 2009, embora seja pequena frente ao número total de beneficiários, chama a atenção por ser algo atípico no setor e por trazer problemas aos consumidores.

Para aqueles que continuam sendo clientes das operadoras, o risco é haver uma perda na qualidade do atendimento. Já para quem deixou de ser beneficiário de um plano, a dificuldade aparece na hora de tentar recontratar o serviço: fatalmente, o preço da mensalidade será mais alto do que era antes.

Tudo porque, com a redução do número de consumidores, o faturamento das operadoras cai, as empresas tendem a reduzir investimentos e também procuram compensar as perdas cobrando mais dos novos usuários. “Os planos de saúde funcionam em um sistema de mutualismo, no qual todo mundo paga a conta para poucos usarem o serviço”, explica José Luiz Toro, advogado especializado em saúde suplementar. “Por isso, quando há diminuição no número de pagadores mas os custos continuam iguais, todos os clientes sofrem.”

Motivos

Nos últimos cinco anos, a base de clientes das operadoras de São Paulo sempre apresentou crescimento. Entretanto, mesmo neste cenário, era muito comum que o número de usuários dos chamados planos antigos (aqueles contratados antes de 1999 e que não são regulados pela ANS) diminuísse ano a ano - seja porque esses clientes migravam para planos novos, seja porque se tratava de beneficiários mais idosos, que morriam. Ainda assim, as perdas nos planos antigos sempre foram compensadas pelas contratações de planos novos.

Não foi o que ocorreu em 2009. No ano passado, 562.663 beneficiários de planos antigos saíram do sistema, mas apenas 465.971 consumidores se tornaram clientes de planos novos.

Uma das explicações para a mudança foi a crise econômica. “São Paulo foi um Estado muito atingido pela crise, em especial na indústria, e as pessoas que foram demitidas e tinham plano de saúde empresarial perderam o benefício”, analisa Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge). “E as contratações ainda não conseguiram superar as demissões.”

O presidente da Abramge lembra ainda que a crise causou um outro problema para as empresas do ramo. “Com medo de perder o emprego, muitas pessoas aproveitaram para usar os serviços do plano enquanto ainda tinham o benefício, o que aumentou o índice de sinistralidade das operadoras”, diz. Com isso, em julho, o lucro médio das empresas filiadas à Abramge ficou na casa dos 0,5%, um resultado considerado muito baixo para o setor.

Além da perda de clientes e da redução nos lucros, as operadoras também tiveram de arcar com aumento das despesas médicas - a estimativa do mercado é que os custos das empresas tenham subido entre 10% e 12% em 2009. Entretanto, o peso extra no caixa não pôde ser repassado integralmente aos consumidores - a ANS, que regula o setor, autorizou um aumento de 6,76% em 2009 para as mensalidades dos planos já contratados.

Mas a conta tinha que sobrar para alguém. Já sabendo que a ANS não autoriza reajustes proporcionais à inflação médica, as operadoras que trabalham no Estado de São Paulo aumentaram em até 15% o valor dos planos ofertados no mercado - neste caso, os preços são livres. Por isso, quem contrata o serviço agora paga mais caro.

Solange Beatriz Mendes, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), embora informe que as empresas representadas pela entidade não sofrem redução no quadro de beneficiários, admite que o aumento de preços pode justificar a diminuição das contratações dos planos novos. “Os clientes que saem de uma operadora, em especial os idosos, podem encontrar dificuldades para recontratar o serviço em função dos valores”, diz.

Para Pedro Fazio, consultor especializado em saúde suplementar, esse retrato atual do setor pode significar que o mercado paulista de plano de saúde esteja saturado. “As operadoras têm muitos custos, repassam isso para o preço dos planos ofertados no mercado, e a consequência é que os valores atuais podem ser altos demais para que consumidores de menor renda, que ainda não têm planos, possam contratar o serviço e ingressar no mercado”, avalia.

O QUE FAZER

Se você é cliente de um plano antigo (contratado antes de 1999) e receber a proposta de uma operadora para migrar para um plano novo, analise bem o seu contrato para ver se vale a pena fazer a mudança

Preste atenção no valor da mensalidade, na cobertura e no índice de reajuste fixado em contrato. A partir daí, pesquise o preço dos planos que oferecem uma
cobertura equivalente

Mesmo que o preço seja parecido (o que é pouco provável), lembre-se de que os reajustes fixados pela ANS para os planos novos costumam ser superiores à inflação geral. Portanto, se o seu contrato for reajustado pela inflação, ele tende a ser mais vantajoso

Caso você decida mesmo migrar para um plano novo, lembre-se que você só estará livre de carência se a migração ocorrer entre planos da mesma operadora. Se a mudança for para outra empresa, a carência é obrigatória, já que esses planos não participam da portabilidade

Os clientes dos planos novos (coletivos ou individuais) também devem evitar quebrar o contrato com a operadora atual, a menos que recebam uma proposta melhor. Em caso de demissão, tente negociar com a operadora antes do contrato ser cancelado

CAROLINA DALL’OLIO

 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Planos de saúde têm nova cobertura obrigatória


01/12/2010

Cerca de 44 milhões de beneficiários de planos de saúde terão direito a 70 novas coberturas médicas e odontológicas a partir de 7 de junho de 2010. É o que garante a Resolução Normativa nº 211, publicada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na edição de hoje, 12 de janeiro de 2010, do Diário Oficial da União.
 
Transplante heterólogo (de uma pessoa para outra) de medula óssea, PET-Scan para diagnóstico de câncer de pulmão, implante de marcapasso multissítio, oxigenoterapia hiperbárica, mais de 20 tipos de cirurgias torácicas por vídeo, além de importantes inclusões no segmento odontológico, como colocação de coroa unitária e bloco são alguns dos principais procedimentos aos quais os beneficiários de planos de assistência médica e odontológica terão direito.
 
A nova norma atualiza o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, a cobertura mínima obrigatória oferecida pelas operadoras de planos de saúde a todos aqueles que possuem contratos celebrados a partir de 2 de janeiro de 1999 - data de entrada em vigor a Lei nº 9.656/98, que regulamenta o setor de saúde suplementar.

Além dos procedimentos, novas regras ampliam o atendimento ao consumidor
A RN nº 211 não traz apenas a lista de novas coberturas. Há uma série de mudanças que, a partir de 7 de junho, ampliarão o atendimento ao consumidor. Uma dessas é a cobertura pelos planos coletivos aos acidentes de trabalho e aos procedimentos de saúde ocupacional.
 
A nova resolução também determina cobertura integral nos casos em que as operadoras ofereçam internação domiciliar como alternativa à internação hospitalar, independentemente de previsão contratual. Se isso ocorrer, a operadora deverá cobrir medicamentos e todos os materiais necessários. Nos outros casos em que a atenção domiciliar não substitua a internação, a cobertura estará condicionada ao contrato.
 
A atenção à saúde mental teve importante ganho com a edição desta RN. Um destaque pode ser dado ao fim da limitação de 180 dias de atendimento em hospital-dia para a saúde mental, reforçando a política de substituição das internações psiquiátricas.

Cada vez mais, a regulação busca a integração entre procedimentos e sua forma de utilização, visando à segurança para os pacientes e ao aprimoramento da prática médica. Para tanto, foi ampliado o número de diretrizes de utilização (critérios que devem ser preenchidos para que a cobertura seja obrigatória) e a incorporação de diretrizes clínicas (guias de orientação da prática clínica baseadas nas melhores evidências disponíveis) produzidas pela Associação Médica Brasileira.

 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Plano terá de oferecer internação domiciliar e novos tipos de exame

Atendimento psiquiátrico ilimitado em casos graves e a possibilidade de internação domiciliar estão entre os 73 novos procedimentos incluídos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na cobertura mínima obrigatória das operadoras de planos de saúde. As novas normas foram publicadas ontem no Diário Oficial da União e terão validade a partir de 7 de junho.

Os planos também deverão cobrir transplantes de medula óssea alogênicos (de outro doador) para pessoas com até 70 anos e exames de imagem para detecção precoce de tumores e metástases (PET-scan oncológico). Nesse caso, a ANS limitou a nova tecnologia a casos de linfoma e de câncer pulmonar.

O chamado Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde 2010 inclui cirurgias por vídeo no tórax e 17 exames laboratoriais. Entre os testes preventivos entraram o do olhinho (para recém-nascidos) e o de HIV para gestantes. São 57 procedimentos médico-hospitalares e 16 odontológicos. Haverá cobertura obrigatória para acidentes de trabalho nos planos coletivos empresariais e por adesão. A ANS também ampliou as consultas com fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.

As medidas valem para os planos contratados a partir de janeiro de 1999 e beneficiarão 43,7 milhões de clientes. Para os outros 10,4 milhões que têm planos de saúde mais antigos, vale o que está no contrato.

Segundo Julius Conforti, advogado especializado em defesa do consumidor na área da saúde, o rol trouxe benefícios, mas "deixou de fora muitos outros procedimentos já consagrados na medicina". "As operadoras não estão obrigadas a fazer a radioterapia IMRT, que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) faz." Ele classificou como um avanço a inclusão da internação domiciliar, mas criticou o fato de a cobertura obrigatória do PET-scan ficar limitada.

"É óbvio que ainda há procedimentos fora da tabela, mas hoje temos um rol mínimo que consegue contemplar tudo que há de mais importante, e não está defasado", disse Martha Oliveira, gerente-geral Técnico Assistencial dos Produtos da ANS. Segundo ela, estão contemplados "todos" os procedimentos de uso corriqueiro e o tratamento e diagnóstico de patologias necessárias. Sobre a limitação dos exames para tumores, ela rebate: "O que é comprovadamente importante foi feito. Não é um recorte preocupado com o custo, mas sim com o benefício."

Segundo Martha, a internação domiciliar em substituição à hospitalar deverá ser prescrita pelo médico. "O paciente terá tudo o que teria no hospital."

Solange Mendes, coordenadora da Fenasaúde, entidade que reúne as principais empresas do setor, diz, porém, que, para as operadoras, a oferta do serviço é facultativa e, quando ocorrer, será nos padrões da hospitalar. Para ela, a internação domiciliar não significará, por exemplo, atendimento a idosos com demência.

O primeiro rol de procedimentos é de 1998. Havia sido revisado em 2000, 2001, 2004 e 2008. O transplante de medula de outra pessoa será o terceiro com cobertura obrigatória, além de rim e córnea. "Hoje o problema do transplante não é ser incorporado à saúde suplementar. O problema é a captação de órgãos", alegou Martha.

Na saúde mental, caiu a limitação de 180 dias por ano para atendimento em hospital-dia. Agora deverá ser ilimitado, como alternativa à internação, para portadores de esquizofrenia e de transtorno bipolar, entre outros casos graves. "É um avanço. Mas o ideal é que a psicoterapia seja uma escolha em qualquer situação", disse Pedro Carneiro, presidente de ONG que atua na reforma psiquiátrica.

Principais Novidades

Exames: Serão disponibilizados 23 novos exames, que vão permitir, por exemplo, diferenciar o tipo de diabete (anti-GAD) e detectar a presença do HIV em gestantes. Análises genéticas servirão para classificar leucemias e orientar o tratamento

Cirurgias: Foram incluídos 34 procedimentos terapêuticos, como videocirurgias no tórax, transplante de medula óssea de doador vivo e implantação de marca-passo multissítio (para corrigir insuficiência cardíaca refratária)

Odontologia: A colocação de próteses dentárias do tipo coroa e bloco passa a ser coberta

Consultas: Aumenta a quantidade anual de consultas com psicólogos (de 12 para 40), fonoaudiólogos (de 6 para 24), nutricionistas (de 6 para 12) e terapeutas ocupacionais (de 6 para 12)

Saúde mental: Torna-se ilimitado o atendimento em hospital-dia como alternativa à internação.

Felipe Werneck

 

O ESTADO DE S. PAULO

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Plano de saúde terá novas coberturas e preço mais alto

JORNAL DA TARDE - ECONOMIA

 

 

 

 

A cobertura mínima oferecida pelos planos de saúde pode ganhar até 42 novos procedimentos obrigatórios. A lista será divulgada hoje pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e vai incluir exames como o petscan oncológico (para detectar câncer) e o transplante de medula óssea.

Embora trate-se de uma conquista importante para o beneficiário, não convém se iludir: o impacto financeiro que a adoção dessas técnicas causar às operadoras será repassado ao consumidor em forma de aumento das mensalidades. Porém, estima-se que os novos procedimentos só comecem a pesar no bolso do cliente a partir de 2011 - a ANS deveria ter divulgado o rol ainda em 2009 para que ele entrasse em vigor a tempo de ser incorporado ao reajuste de 2010, cujo anúncio está programado para maio. Mas o novo rol deve passar a valer só em junho.

Em 2008, a ANS adicionou de uma só vez 150 procedimentos ao rol obrigatório. No reajuste de preços anunciado em abril de 2009, que foi calculado com base no aumento de custos que as operadoras registraram nos 12 meses anteriores, a nova lista teve o peso de 1,1 ponto porcentual no índice de aumento total, que foi de 6,76%. Isso porque os procedimentos incluídos eram baratos (como a vasectomia), porém registravam grande frequência de utilização.

Desta vez, a lista não é tão numerosa como a de 2008. Em contrapartida, ela inclui itens mais caros. Apenas o exame de petscan oncológico custa cerca de R$ 4 mil. Sem falar do transplante de medula óssea, cujo preço pode chegar a R$ 85 mil, e de outras técnicas adotadas em cirurgia ou diagnóstico de doenças. O atenuante é que a demanda por esses procedimentos é considerada baixa. Além disso, a ANS deve limitar cobertura obrigatória do exame só para a verificação de suspeita de câncer no tórax e mediastino - reivindicação das empresas.

Ainda assim, especialistas asseguram que a mudança terá impacto nos preços dos planos. “A divulgação de um novo rol sempre tende a aumentar os custos das operadoras e, consequentemente, encarecer as mensalidades”, diz Marcos Bosi Ferraz, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde. “Porém, só vai ser possível saber qual será o impacto financeiro quando as operadoras constatarem qual é a demanda real e se os médicos utilizarem os recursos de forma consciente.”

Carlos Suslik, coordenador do MBA Executivo em Gestão de Saúde HIAE - Insper, explica que novas tecnologias que serão incorporadas no novo rol não eliminam exames anteriores. Pelo contrário: são aditivas, tornando o diagnóstico e o tratamento mais precisos, mas às vezes mais caros . Porém, ele enfatiza que parte dos novos procedimentos podem ajudar a prevenir doenças. “Isso serviria para diminuir o custo das operadoras no médio prazo”, diz.

Daniela Trettel, advogada do Idec, acha que “o certo seria abolir o rol e instruir as operadoras a cobrirem qualquer procedimento de que o paciente necessite ainda que isso revertesse em aumento de preços.”

Carolina Dall’Olio e Fabiane Leite

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Planos terão de cobrir transplante de medula

FOLHA DE S. PAULO - COTIDIANO

 

 

 

 

No dia 1º de junho, planos de saúde de todo o Brasil passarão a cobrir os custos do transplante de medula óssea -que chega a custar R$ 80 mil- e de um sofisticado exame capaz de detectar diversos tipos de câncer.

E os planos odontológicos, por sua vez, passarão a oferecer os tratamentos popularmente conhecidos como bloco e coroa.

A Folha apurou que esses são alguns dos cerca de 70 procedimentos que, por determinação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), entrarão no pacote mínimo que as operadoras são obrigadas a oferecer a seus clientes.

Procurada, a ANS disse à Folha que não poderia comentar o tema. A agência afirmou que só amanhã apresentará a nova lista de procedimentos obrigatórios. A atualização beneficiará os 43,7 milhões de pessoas com plano médico ou odontológico contratado após janeiro de 1999, quando entrou em vigor a lei que regula o mercado.

O transplante de medula que será incluído na lista é o alogênico (doação feita por outra pessoa). Os planos já cobrem o autólogo (a medula transplantada é do próprio paciente).

O transplante é indicado principalmente para tratar a leucemia (câncer nas células do sangue). Incluindo os cuidados do paciente após o transplante, o procedimento custa ao governo entre R$ 60 mil e R$ 80 mil.

Para o médico Carmino Antonio de Souza, presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, a inclusão do transplante de medula óssea no pacote básico não terá um impacto grande nas contas das operadoras:
"O procedimento é caro [até R$ 80 mil], mas não é tão comum. Deveremos ter uns 150 transplantes por ano [cobertos pelos planos]. A maioria continuará sendo feita pela rede pública. Imagino que R$ 1 a mais nas mensalidades cobrirá os custos na área privada."

Exame de câncer
O exame de câncer que os planos terão de cobrir é o PET/CT. Ele tem duas funções básicas: identificar o câncer em estágio inicial e mostrar em tempo real como o organismo está reagindo ao tratamento.

Um exame de PET/CT custa na rede privada algo em torno de R$ 3.500. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, 30 clínicas e hospitais brasileiros possuem esse aparelho de R$ 2 milhões.

"A inclusão no rol da ANS certamente vai estimular o aumento do número de aparelhos no Brasil", afirma o médico Marcelo Livorsi da Cunha, presidente da Associação Brasileira de Medicina Nuclear.

A Abramge (associação das operadoras do tipo medicina de grupo) diz que a atualização dos serviços básicos encarecerá os planos médicos.

A ANS diz que, em 2008, quando ocorreu a última atualização, houve um reajuste de 1% nas mensalidades.

As empresas de planos odontológicos preveem também aumento nas mensalidades. Segundo o presidente do sindicato das empresas de odontologia de grupo, Carlos Squillaci, os planos hoje se concentram nas classes mais baixas. As mensalidades giram em torno de R$ 15, diz, um valor que cobre todos os procedimentos básicos.

"É como se agora tivéssemos de dar à população só TV de plasma. Mas não se pode dar TV de plasma se a mensalidade só cobre TV comum", compara.
Já Newton Miranda de Carvalho, da Associação Brasileira de Odontologia, acredita que, na prática, as operadoras não aumentarão as mensalidades -por causa da alta concorrência. Mas os clientes serão prejudicados de qualquer forma.

"A mensalidade paga pelo cliente é a mesma, e o valor que o dentista recebe do plano é o mesmo. Há muita operadora que paga R$ 4 por procedimento. Mas as próteses [o bloco e a coroa] são caras. Resultado: o dentista trabalhará com material de má qualidade ou abandonará o plano."

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL